Suicídio? Bem, acho que posso dizer como é pensar nisso!!!

Não se fala em outra coisa a não ser esse jogo da baleia azul e sobre a série da netflix. Confesso que hesitei alguns dias antes de decidir assistir a série. Porque? Bem, acho que se ler até o final desse texto irá entender meus motivos.

Antes que leia tudo o que estou te contando sobre mim, quero que fique claro algumas coisas:

  1. Independente da minha graduação, ou do que acredito, tive um passado e é sobre ele que esse texto fala. Aliás, na verdade não só sobre o passado, acho que ele fala mais sobre o presente e o futuro do que o passado em si.
  2. E por ultimo, antes de ler o texto, anule todo pre-conceito e se permita entender os motivos do texto que irei deixar claro no final.

Para entender todo o contexto preciso voltar 27 anos atrás…

Um casal jovem, já perdendo as esperanças de terem um filho, pois a mulher tinha problemas que a impediam de engravidar. Mas para a surpresa daquele casal, recebem a noticia, estavam esperando um bebe. Já devem imaginar a alegria!

18/12/1990 nasce o tão sonhado bebê, na verdade eles não sabiam ao certo se seria menino ou menina, tinham escolhido o nome de um menino devido um sonho que a mãe teve, Moisés, esse era o nome estabelecido. Mas ao nascer, lá estava uma menina, o nome veio através de uma tia da criança, segundo a história bíblica, Moises tinha uma irmã chamada Miriã, como não era Moises, era a irmã. Eis então a história do meu nome. (como diz a minha professora Letícia, o significado do nome diz muito sobre o indivíduo, é, acho que ela tem razão).

Criança feliz, aos 2 anos de idade recebe dois irmãos de uma vez só, família simples, porém muito feliz.

aos 4 anos de idade, minha mãe percebeu que eu gostava muito de escola, levantava todos os dias de manhã colocava uma sacola nas costas e ia pra sala e dizia que era minha escola. Surge então a ideia de me matricular. No inicio foi difícil, sentia muita falta da minha mãe, mas na escola tive muito carinho das minhas professoras e logo me acostumei.

As coisas estavam indo muito bem, mas um ano depois disso, muitas coisas passaram a mudar. A partir de agora você vai entender o que fez com que uma criança feliz e inteligente se tornasse uma caixa de tristeza e com retrocesso cognitivo.

Meu pai se tornou alcoólatra, violento, e começaram aqui dias, meses e anos de muito sofrimento.   Hoje, paro e fico lembrando de tudo isso como se fosse uma grande cicatriz que coloco a mão, mas não a sinto doer mais, só que não foi sempre assim, e posso adiantar pra você, doeu muito naquela época.

Prefiro não detalhar os tormentos passados por mim, meus irmãos e minha mãe, até porque são lembranças aterrorizantes e prefiro poupá-los. Mas como exemplo posso citar coisas que passamos como: TODAS as noites sem exceção de nenhuma, dos meus 5 a 16 anos, tínhamos que correr de casa por medo de sermos mortos, ficávamos na rua escondidos até as 3 ou 4 da manhã esperando que ele dormisse e assim pudéssemos voltar pra dormir também o pouco da noite que restava; por 3 vezes tive que me tornar mãe e pai dos meus irmãos entre meus 9 e 12 anos, pois devido a tudo o que passávamos minha mãe ficou muito doente e precisou ser internada, foi difícil ficar sem ela, foi difícil ter que cuidar deles, foi difícil ter que crescer antes da hora, foi difícil ter que ver eles chorar até dormir de fome porque não tinha nada pra comer em casa. Acho que até aqui já é o suficiente para que entendam o que passamos, e posso te assegurar que isso não foi nem 1/3 do que passamos.

Lembra da criança feliz, que amava ir pra escola? Ela passou a não existir mais, me tornei uma criança fechada, calada, tímida, não tinha amigos, não gostava de conversar, não desenvolvia na escola ( afinal, quem seria capaz de aprender dormindo em média 2 horas por dia? ou que criança conseguiria aprender, pensando que enquanto ela estava na escola, seu pai poderia matar sua mãe? Éh! acho que seria complicado).

Muitas outras coisas horríveis aconteceram entre os 5 e 12, a única coisa que posso dizer, é que fizeram um grande estrago naquela criança, que mais tarde se tornaria o motivo de sua primeira tentativa de suicídio.

Suicídio Miriã?

Sim! 14 anos, acredito que você consegue imaginar como estava a cabeça e o emocional daquela criança, o estrago que tudo aquilo havia feito e continuava fazendo.

Quero aqui, descrever a sensação que se sente ao ter esses pensamentos. Não queria morrer ao certo, só não aguentava mais tanto sofrimento, achava que as coisas já tinham ido longe de mais, minha família não podia continuar vivendo daquela forma, ou pelo menos eu não suportava mais presenciar o sofrimento deles daquela forma. Vi coisas pesadas de mais, ouvi coisas duras de mais, eu era pequena de mais, indefesa de mais, me sentia inútil de mais, era incapaz de tirar eles daquele sofrimento, a única saída era não ver mais aquilo.

Como fiz? Isso não vem ao caso, o que quero dizer nesse texto não é o que eu fiz e sim como me senti e principalmente como me sinto hoje.

Não obtive sucesso nessa primeira tentativa, a frustração aumentou ainda mais, o silencio aumentou ainda mais, a dor e o desespero me consumia cada dia mais. A rotina era a mesma todos os dias, acordava as 11:00 as vezes almoçava (quando tinha comida, mas se não tivesse, tava tudo bem, na escola eu comia, um dos motivos pelo qual eu não faltava aula), ia pra escola, chegávamos as 17:30 em casa, tomávamos banho, vestíamos blusas de frio, comíamos, e assim tentávamos ter uma vida normal ate as 23:00, normal até ele chegar, ai tínhamos que fugir de casa, por volta das 3:00 nos certificávamos que ele tinha dormido e assim entravamos pra dormir. Essa era a rotina. Parece fácil se tornar uma pessoa deprimida, ansiosa certo? Sim, cada dia mais, me fechava mais, não conseguia conversar com humanos, os achava ruins de mais, pra mim só existia minha mãe, meus irmãos e minha avó, ela era nosso pai, nossa mãe, nosso anjo, ela que comprava comida e remédio pra nós, ela nos protegia, me sentia segura ao lado dela, quando ela estava por perto não sentia medo, ela era minha maior fã, ela que pagou pra eu aprender tocar violão aos 13 anos, ela dizia que quando eu completasse 18 anos, me daria um carro pra levar ela pra passear. Mas ela não esperou eu completar 18 anos, o que era ruim se tornou ainda pior.

Ia fazer 17 anos quando ela se foi, o resquício de esperança que eu ainda tinha se despedaçou naquele dia. Me tornei agressiva, impulsiva, ainda mais ansiosa, ainda mais fechada, ainda mais deprimida. Lembra da criança medrosa que corria todas as noites? Eu havia me tornado em uma espécie de cópia dele, não tinha mais medo, nada mais importava, não tinha medo do que poderia acontecer comigo, por várias vezes o enfrentei, ele com facão na mão dizendo que mataria minha mãe, várias vezes disse que ele devia me matar logo, por duas vezes isso quase aconteceu. Na primeira fiquei muito machucada, eu confiei nos policiais mas eles não fizeram nada além de chama-lo para uma conversa na delegacia e pra piorar o delegado disse na minha frente que minha mãe iria perder nossa guarda e poderíamos até ser dados para outra pessoa criar (essa primeira vez aconteceu eu tinha uns 14 anos), e a outra, minha sorte foi que o facão estava cego, com toda a força, ele bateu ele em minhas costas, sentia como se nada físico poderia doer mais do que a dor que sentia na alma.

18 anos, já não conseguia mais, segunda tentativa. Dessa vez, não conseguia muito pensar, era tudo doido de mais, só precisava que tudo aquilo parasse, era muita dor, muita solidão, não seria justo continuar daquela maneira. Eu precisava colocar fim em tudo. Minha cabeça rodava, os pensamentos eram como se fossem uma multidão falando ao mesmo tempo, tudo era muito difícil, não sentia graça em nada, não havia perspectiva de nada, só um desejo gritante de parar tudo aquilo, precisava parar.

Se eu pensei na minha mãe? ou nos meus irmãos? Sim! Mas ao mesmo tempo que pensava neles, me sentia ainda mais inútil, mais deprimida, era incapaz de libertá-los, já que não poderia salvá-los, não podia continuar assistindo eles morrendo aos poucos como eu já havia “morrido”.

Mais uma vez, não vou descrever como foi, só que dessa vez, acabei tendo sequelas. Passei alguns dias entre a vida e a morte no hospital.

Agora quero que preste bastante atenção, o motivo pelo o qual estou compartilhando com você minha história, começa exatamente nesse hospital.

Durante 20 dias, perdi o movimento da minha perna, durante 5 dias fiquei internada naquele hospital entre a vida e a morte, tive 5 dias pra ver coisas que eu ainda não tinha visto durante toda a minha vida.

  1. vi idosos lutando pela vida;
  2. vi crianças chorando pra irem embora pois não aguentavam mais serem espetadas por injeções;
  3. vi mães chorando por verem seus filhos doentes, se sentindo incapaz por não conseguir arrancar a dor deles;
  4. vi médicos e enfermeiros correndo de um lado para o outro, tentando manter a vida de todos aqueles pacientes;
  5. vi minha mãe dormindo no chão frio, para não me deixar sozinha naquele hospital;
  6. vi ela chorando por me ver chorando de dor;
  7. vi ela lutando por mim, mesmo sem saber que o motivo por eu estar naquela situação era por eu mesma ter desistido de mim;
  8. vi mensagens dos meus irmãos dizendo que estavam com saudade e pedindo pra eu ficar boa logo e ir pra casa;
  9. vi minha família desesperada, indo me visitar no hospital;
  10. vi pessoas que nem tinha muito contato e até mesmo outras que nem conhecia e nem me conheciam, fazendo uma campanha de arrecadação de dinheiro pra que eu conseguisse pagar os medicamentos e exames caríssimos que eu precisava.
  11. vi que na verdade não queria morrer e sim viver.

VI, QUE EU PODIA TER UMA NOVA CHANCE,

VI QUE EU TINHA MOTIVOS PRA ME SENTIR MAL, TINHA MOTIVOS PRA DESISTIR DE TUDO, MAS TAMBÉM TINHA MOTIVO PELO O QUE LUTAR, TINHA COM QUEM CONTAR, MESMO QUE ELES PARECESSEM MAIS FRÁGEIS QUE EU, MAS EU PODIA CONTAR COM ELES E ALI PERCEBI QUE ELES CONTAVAM COMIGO TAMBEM.

Vi, que sozinha seria impossível caminhar, que estava numa escuridão que me sufocava e a vontade de sair de lá era tão grande, que escolhi a forma que a princípio me parecia a melhor opção pra sair de lá, mas ainda bem que pude ver a opção correta a tempo, de forma bastante dolorida, mas em tempo.

Se você que está lendo, nunca pensou dessa forma, ou nunca se sentiu assim, fico feliz por você, pois te garanto que não é nada legal.

Mas se você está pensando assim agora, ou já pensou, saiba que o entendo perfeitamente, sei o quanto é difícil, mas por experiência própria, eu te digo, pode ser mais leve. Há uma saída, há esperança, há razões para insistir em lutar por você, por sua família, por seus sonhos que embora hoje pareçam estar distantes ou quem sabe, estão apagando, mas pode ser diferente.

Hoje tenho 26 anos, estou no meu último ano da faculdade, uma menina estudiosa, com sonhos e mais sonhos, minha mãe, meus irmãos estão todos bem.

Sei que muitas vezes pessoas que conhecem uma historia como essa, se perguntam o que eu fiz com tudo o que fizeram de mim, confesso que a resposta era sempre: ME DESTRUIRAM, ACABARAM COM A MINHA VIDA, ME TRANSFORAMARAM NUM MONSTRO.

Bem, hoje consigo responder isso de forma diferente:

Meu passado não pode ser apagado, as cicatrizes também não, mas o fato é que não importa o que fizeram comigo e sim, o que eu fiz do que fizeram. Recebi uma nova chance de ver além da dor e o que eu consegui ver, embora que na época, parecia longe, eu vi esperança e acreditei num futuro em que eu construiriam pra mim. Ainda não o conquistei por completo, mas até aqui já me aproximei bastante dele.

Há esperança, há saída, há sempre uma nova chance de recomeçar. Não precisa ser tão pesado, compartilhe o fardo com alguém, ela pode te ajudar a carregar. Essa pessoa pode ser sua família, um amigo, um profissional especializado para te ajudar. O importante é se perceber como alguém capaz de lutar primeiramente por você e depois por aqueles que te ama.

Fazer terapia não é para doido, ou para fracos, ou para depressivos, ou para dramáticos, se sim para aqueles que são fortes o suficiente para assumir para si que precisa de ajuda, corajoso o suficiente para lutar por si mesmo.

Depressão não é drama, não é brincadeira, não é motivo para piadas ou motivos de se envergonhar e sim, um problema que requer cuidados, que requer atenção, requer cura.

Não sinto vergonha por compartilhar minha história com você, pra ser sincera, olho pra trás, lembro tudo o que passei e onde cheguei, vejo que o meu passado não chega nem perto do que vivo hoje e isso me da a sensação incrível de ter conseguido.

EU CONSEGUI, EU ESTOU AQUI, EU VENCI, VALEU A PENA ACREDITAR NO AMANHÃ!!!

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Como eu não li isso???

Você já fez uma prova em que precisava muito se sair bem e pra isso estudou muito e foi pra prova confiante, mas no momento que pega a prova, parece que tudo o que lê parece não fazer sentido ou você simplesmente não sabe interpretar a pergunta?

Bem, por várias vezes passei por isso, e uma prova em que não me esqueço de maneira nenhuma, foi uma prova de Processos Cognitivos no 6° Período da faculdade. Onde estudei muito para a prova, por três motivos:

  • Porque era uma matéria e assunto que me interessava muito;
  • Porque queria provar pra mim mesma, que eu havia aprendido aquela matéria
  • Porque era muito importante pra mim, mostrar pra professora que eu havia aprendido (porque a prova era um meio de “teste” para entrar em um grupo de pesquisa no qual ela coordenava)

Bem, como eu já citei acima, eu estudei muito para essa prova, então a nota foi excelente certo? ERRADO!

Eu simplesmente não conseguia entender as perguntas, era assustador, as palavras pareciam não ter conexão, quanto mais eu lia as questões, mais eu ficava confusa, e soava frio, e acreditem ou não, me deu um desespero tão grande, que eu simplesmente disparei a chorar na sala de aula, e precisei entregar a prova, com duas questões sem responder e as que respondi, não fazia a ideia de qual seria a resposta correta.

Você já deve imaginar o quão mal eu fiquei neh?! Eu fui pra casa nesse dia desolada, me sentindo a pior pessoa do mundo, e eu só pensava uma coisa:

O QUE ACONTECEU?  PORQUE EU NÃO CONSEGUI? EU ESTUDEI TANTO PRA ISSO…

Quando peguei a prova novamente na outra semana, li as questões novamente e eu simplesmente sabia TODAS as questões, eu fiquei ainda mais confusa, porque isso tinha acontecido, não fazia o menor sentido.

Ok, passou, o semestre acabou, e eu entrei no 7° período. Tenho a matéria que mais amo que é Neuropsicologia. Da mesma forma, estudei muito, praticamente pelos mesmos motivos da matéria de Processos Cognitivos. E dessa vez, além de estudar pra eu me sair bem nas provas, como eu tinha muita facilidade, passei a ser monitora da minha turma, ou seja, eu ensinava algumas pessoas a matéria, porém, no dia da prova, a mesma coisa que tinha acontecido antes, aconteceu novamente, as perguntas não faziam nenhum sentido, eu simplesmente não conseguia entender nada. Dessa vez, fiquei chateada comigo mesmo, porque não era possível, como eu poderia ser tão sonsa, eu sabia tudo aquilo, mas porque não conseguia entender as perguntas e muito menos responder?

Essa prova, foi a de N1, a primeira prova do semestre. E mesmo, tendo me saído mal na primeira prova, eu continuei estudando, continuei sendo monitora, e dessa vez o grupo aumentou e passamos a nos encontrar todas as semanas por 2 horas antes da aula, e estudávamos intensamente a matéria e eu simplesmente sabia toda a matéria. Quando foi chegando próximo o dia da prova, comecei a ficar ansiosa novamente, sentia medo de me sair mal novamente, já não conseguia dormir direito, a mão soava frio só de pensar na prova, mas na noite anterior a prova, infelizmente meu vô, veio a falecer e esqueci essa prova, no dia da prova, passei o dia todo no velório e enterro, e havia dito pra minha professora, que não faria a prova, que não conseguiria. E ela falou algo que me marcou, não sabia ela que era o que eu precisava ouvir em todas essas provas em que tivesse problemas:

“Miriã, eu entendo o que está passando, sei que está triste e que está cansada, mas hoje é o dia que você tem pra mostrar pra você mesmo que seu esforço valeu a pena. Hoje é dia de conquista da corrida que você começou no inicio do semestre. Você é capaz, você lutou por isso, venha provar pra você mesmo que você consegue. EU ACREDITO EM VOCÊ.”

Sinceramente, eu estava tão triste pela morte do meu avô, que ainda fiquei indecisa se iria ou não fazer a prova, mas ao chegar em casa 18:00, fui direto tomar banho pois minha prova começava as 19:00, me arrumei e fui. Cheguei lá sem conseguir falar com ninguém e minha professora mais uma vez, chegou perto de mim, deu um sorriso e disse: “Que bom que veio, fica tranquila, vai dar tudo certo, você consegue.”

E assim, começou a prova. Resultado?

Acertei 95% da prova. Eu simplesmente SABIA TODAS as respostas. Só errei uma, pois na hora de marcar no gabarito, confundi.

Vocês não tem noção o quão feliz eu fiquei. Foi como se tirasse um fardo das costas, me senti uma vitoriosa, eu consegui o resultado que tanto lutei para conseguir.

Agora, vamos para as análises que fiz após esse episódio.

  • Foi de extrema importância, o apoio e reforço da minha professora, pois era nítido que eu realmente sabia a matéria, porém a ansiedade que me dava na hora da prova, me atrapalhava de mais, eu simplesmente ficava bloqueada e não conseguia responder. E as palavras dela com toda certeza, reduziu essa ansiedade, o que me desbloqueou para conseguir responder todas as questões e me sair muito bem.          PS. Nem preciso dizer o quanto sou grata a essa professora neh?! rs
  • Bem, a segunda análise só fui capaz de fazer hoje – 22/11/2016 quase, mais de um ano após o episódio da matéria de Processos Cognitivos. E foi lendo um livro incrível que estou lendo :  O CÉREBRO – Um Guia Para Usuários de Dr. John J. Ratey

O capítulo 2 desse livro, fala sobre PERCEPÇÃO. E pra ser exata na página 76 desse livro, li algo que agora sim, faz todo o sentido do que aconteceu comigo tanto na matéria de Processos Cognitivos e de Neuropsicologia:

“Se a descargas neurônicas aleatórias são rápidas e furiosas demais, é possível que os estímulos que chegam não consigam ativar e reunir os neurônios numa conduta adequadamente sincronizada. Isso, por sua vez, poderia resultar no processamento incorreto de um estímulo e, por conseguinte, a descarga dos neurônios seria defeituosa ou nula. É o que ocorre quando PESSOAS ALTAMENTE ANSIOSAS SE SUBMETEM A TESTES. O recrudescimento da ansiedade ELEVA o nível de ruído mental, tanto assim que essas pessoas podem LITERALMENTE ver Menos de seu meio ambiente, como se o espaço cerebral usualmente aberto à percepção estivesse todo ocupado pelo ruído interno. Elas olham para uma pergunta do teste e LITERALMENTE NÃO VÊEM certas palavras, o que as leva a interpretá-las mal e a dar a resposta errada. São até capazes de não ver perguntas inteiras na página. Seus cérebros estão a tal ponto ocupados em lidar com o ruído que os canais visuais no cérebro não estão abertos para uma percepção acurada.”  (RATEY, 2002).

Bem, acho que já podem imaginar a conclusão que tirei do porque eu simplesmente não conseguia entender as perguntas, mesmo tendo estudado tanto e realmente saber o conteúdo. A ansiedade se tornava minha pior inimiga na hora da prova. Bem, dois conselhos te dou, se isso acontece ou já aconteceu com você. O primeiro, é que se você estudou, e se essa prova é realmente muito importante pra você, sempre que bater a ansiedade, pare por alguns segundos, feche teus olhos, respire de maneira em que você consiga perceber o ar entrando e saindo dos seus pulmões, e diga pra você mesma (o) EU CONSIGO, EU ESTUDEI PRA ISSO E SEI A MATÉRIA, É SÓ UMA PROVA, EU SEI AS RESPOSTAS. Bem, isso não é uma regra, mas é uma maneira que eu Miriã encontrei de relaxar e tirar aquela tensão que tanto me atrapalhava nas provas. Você amenizando essa pressão no seu cérebro, a percepção será mais clara, e seus resultados serão obtidos de forma melhor. E o segundo conselho é, NUNCA DESISTA ou se sinta MENOR OU INCAPAZ, quando algo que você se propor a fazer não sair como você planejou. Não ganhar a medalha de ouro na primeira tentativa não o faz incapaz, desistir no primeiro obstáculo sim. Seja você mesmo o seu maior incentivador. Acredite em você mesmo, pode ter certeza, os reconhecimentos e as conquistas virão de brinde.

Miriã Nunes Campos

ANSIEDADE, Ser ou Estar? Eis a questão…

Quem nunca disse: “Eu sou uma pessoa muito ansiosa” ou “Estou muito ansiosa por…”?               Muitas palavras foram adicionadas ao nosso vocabulário, sem ao menos sabermos o que é ou simplesmente por deduzirmos o que possa ser. Quer um exemplo de palavras, adjetivos que usamos sem saber ao certo o que realmente significa?

Maria é DEPRESSIVA ; João é LOUCO ; Deixa de ser NEURÓTICO ; Ele parece um DÉBIL MENTAL, Aquele homem tem cara de PSICOPATA … e por ai vai!

Ao falarmos essas coisas, não necessariamente sabemos o que significa, fazemos uso da palavra por n motivos, pode ser porque está no repertorio de palavras que aprendemos no decorrer da nossa vida, ou porque associamos a palavra pela semelhança dos “sintomas”, ou por termos criado na cabeça a nossa própria conclusão do que poderia ser.

Primeiramente vamos definir o que é ANSIEDADE:

Segundo o Dicionário Aurélio, ansiedade é dada como – 1 “Comoção aflitiva do espírito que receia que uma coisa suceda ou não.” 2 “Sofrimento de quem espera o que é certo vir; impaciência.”

Roland Doron & Françoise Parot, no livro Dicionário de Psicologia (2001), definem ansiedade da seguinte forma: “Emoção gerada pela antecipação de um perigo difuso, difícil de prever e de controlar. Transforma-se em medo diante de um perigo bem identificado. A ansiedade é acompanhada por modificações fisiológicas e hormonais características dos estados de ativação elevada, e está muitas vezes associada ao comportamento de conservação-retração ou a atitudes de evitação. Os distúrbios ansiosos compreendem as fobias, as crises de ansiedade ou ataques de pânico, a ansiedade generalizada, manifestações obsessivas e compulsivas, e a ansiedade pós-traumática.”

Resumindo, podemos definir ansiedade como, aflição, angústia, perturbação do espírito causada pela incerteza, relação com qualquer contexto de perigo, entre outros.

Afinal, existe diferença entre SER ou ESTAR ansiosa?

Vejamos então alguns exemplo do nosso dia-a-dia que nos deixa ansiosos (ESTAR):

1 – Uma prova na facansiedade1uldade;

2- A espera por algo importante;

3- Preocupação por algo;

4- Quando estamos sujeito a algum perigo

Ou seja, ESTAR ansioso, pode e vai acontecer com todos nós em algum momento, pois estamos sujeitos a varias coisas que nos deixa inseguros, e assim como já definido, nos faz ter a incerteza de algo, e varios processos tanto comportamentais, como fisiologicos agem nesse sentido gerando a famosa ansiedade.

SER ansioso pode ter as mesmas causas, porém o que difere, é a duração dos sintomas, que podem interferir a curto e longo prazo nos comportamentos e na personalidade do indivíduo.

A autora do livro “Mentes Ansiosas” – Ana Beatriz Barbosa Silva, define ser e estar ansioso da seguinte forma:

SER ansioso é “possuir sensação de tensão, apreensão e inquietação.”

Por outro lado, a autora diz que ESTAR ansioso, “é tudo isso acompanhado por manifestações orgânicas tais como palpitações (taquicardia), suor intenso (sudorese), tonturas, nauseas, dificuldade respiratória, extremidades frias, etc.”

Vamos ver o que o DSM – 5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) nos diz sobre ansiedade:

Segundo o DSM – 5, ” Os transtornos de ansiedade incluem transtornos que compartilham características de medo e ansiedade excessivos e perturbações comportamentais relacionados. Medo é a resposta emocional a ameaça iminente real ou percebida, enquanto ansiedade é a antecipação de ameaça futura. Obviamente, esses dois estados se sobrepõem,  mas também se diferenciam, com o medo sendo com mais frequência associado a períodos de excitabilidade autônoma aumentada, necessária para luta ou fuga, pensamentos de perigo imediato e comportamentos de fuga, e a ansiedade sendo assim frequentemente associada a tensão muscular e vigilância em preparação para perigo futuro e comportamentos de cautela ou esquiva.” (pag. 189. Artmed 2014).

Efim, se nesse exato momento, voce se sente ansioso ou se define como uma pessoa ansiosa, veja bem, momentos na vida nos faz relmente ter medo, insegurança, apreensão e nosso corpo e mente reagem de forma muitas vezes intensa para tentar aliviar tais sensações, procure parar, respirar, e falar pra voce mesmo, que isso é apenas um momento, e que irá passar, que no fim tudo se ajeita. Veja bem, ja diferenciamos o SER e ESTAR, se houver persistencia nos sintomas, se voce ou alguem proximo perceber que é algo constante, que atrabalha de certa forma sua vida cotidiana, o melhor é ir em busca de uma ajuda de quem realmente entede, vá a um profissional primeiramente para avaliá-lo para que seja diagnosticado um possivel transtorno de ansiedade, havendo a necessidade, entrar com medicação e claro, como estudante de psicologia e também como um paciente terapeutico, afirmo com propriedade, a terapia independente da abordagem que voce se identifica mais, o ajudará e muito a amenizar tais episódios ansiosos.

Uma Alma Sonhadora…

“Você vive na fantasia”; “Acorda, isso seria impossível”; “Volta para realidade”…

Por várias e várias vezes ouvi frases como essas, pessoas que ouviam meus planos e sonhos e simplesmente os criticavam.

Bem, não sei ao certo, se essas frases de fato eram verdades ou se eles estavam certos e eu a errada. Confesso que quando as ouvia, não contia as lágrimas e até mesmo a vontade louca de jogar tudo pro alto. Afirmava para mim mesma, que realmente eram sonhos bobos e que realmente eles não seriam realizados e assim pegava no sono, após adormecer em meio as lágrimas. No outro dia, acordava com aquele sonho ainda mais vivo e me sentia como se nada pudesse interrompe-los. E tem sido assim durante 25 anos.

Não sei se já se sentiu assim, mas sinto-me em uma dimensão em que a realidade não faz tanto sentido quanto os sonhos, parece que não faço parte de tal realidade tão dura e cruel onde nos obriga a tomar decisões do que pode ser realizado ou não ou impõe limites do que é e/ou do que não será.

Não sei quando foi que a tão pregada realidade deixou de fazer parte de mim, se é que ja fez, mas lembro que, desde muito cedo os sonhos me acolheu e me ajudou a suportar uma tempestade de realidades que por pouco não me afogaram…

Deixe-me que te conte alguns sonhos, quem sabe, não faça o menor sentido pra você, mas tenha certeza, que em mim, foi oxigênio para me manter acordada.

É comum a uma criança ter sonhos de ganhar aquela boneca, aquele carrinho, aquela festa de aniversario, ou uma viagem pra Disney e os pais, esses anjos protetores, se desdobram para conseguir realiza-los, mas desde os primeiros anos de vida, meus sonhos já não se encaixavam nos ditos “normais”. Aos 7 anos, sonhava em crescer logo, precisava crescer, ser criança era duro de mais, existiam pessoas que precisavam de mim, brincar não era uma opção pra mim, ter brinquedos não podia ser meu foco, eu precisava protege-los, era minha responsabilidade, precisava me tornar adulta logo, assim, eu seria forte e valente, e tudo o que eles sonhassem, eu poderia realizar. A primeira realidade bateu a porta ainda nessa idade, não era apenas dormir sonhando em crescer logo e aconteceria, no outro dia, e no outro, e meses, e anos, eu ainda continuava pequena e não tinha força o suficiente para protege-los.

Uma criança estranha, porque ela não fala com as outras crianças? Bem, não é que eu não gostasse de falar com as outras pessoas, só que eu preferia o papel, ele me entendia melhor, assim, maior parte da minha vida, tive como melhores amigos meus cadernos. Eles “escutavam” tudo o que eu precisava falar, acreditava em cada sonho que neles eu escrevia, e o melhor, eles não me criticavam.

Na adolescencia, não tive a famosa fase de rebeldia, era uma adolescente queta, estudiosa, ainda com um pequeno problema de lidar com o fato de que as pessoas tem necessidade de conversar verbalmente, então, digamos assim, eu não era tão popular no meio em que vivia. Nessa época, o sonho por crescer logo era ainda mais forte, e ali, ja havia incluído mais alguns sonhos que de certa forma não anulava o de quando criança, melhor dizendo, na adolescencia consegui elaborar melhor meus sonhos e tentar maneiras de alcançá-los. Assim comecei a trabalhar, passava horas e horas em bibliotecas públicas e quando sobrava tempo para estar em casa, me trancava no quarto e estudava. Precisava crescer, precisa protege-los, precisava mostrar pra eles que eu iria cuidar deles.

Enfim 18 anos, tudo parecia estar encaminhando, estava conseguindo dinheiro através de um trabalho que eu adorava numa escola de inglês. Tinha condições de ajudar minha família, mas ainda não era suficiente, precisava pensar mais, precisava sonhar mais, eles precisam de mais, ate que dia 15 de novembro de 2009, por um acidente, algumas coisas mudaram, fiquei entre a vida e a morte em um hospital, tive que adiar o sonho de seguir como professora de inglês, interromper os planos de ir morar fora do país e o pior de tudo, agora, eu era quem dependia deles.

Por um tempo desistir de sonhar, porque eu não me via mais capaz de realiza-los, onde eu tinha errado? porque tinha que estragar tudo? por um tempo, considerei ser inútil lutar para cuidar deles, porque eu havia falhado. Mas ai, vi que o tempo todo, o sonho de cuidar, não passava de um grito desesperado de ser cuidada. Me deparar com minha família que eu lutei com tanto esforço para proteger, estava ao meu lado tentando me fazer levantar daquela cama. Vi em seus olhos cheios de lágrimas, não um desapontamento por não ter cuidado o tanto que mereciam, mas sim, um olhar de gratidão por eu nunca ter desistido.

Me reergui novamente, comecei estudar, conheci pessoas novas, já conseguia me comunicar verbalmente com as pessoas e tudo isso se deu graças a pessoas que souberam me ensinar a conversar. Ali, já podia deixar de lado meus cadernos, vi que poderia me expressar atraves de várias formas, compondo, escrevendo, falando, ouvindo, ou até mesmo através de um simples olhar.

Hoje? Tenho 25 anos e muitas coisas permanecem do mesmo jeito de quando eu era criança, os medos, os traumas, a insegurança quanto a tal realidade. E os sonhos, eles so mudam de nome ou forma, mas todos levam a uma só realização, o de cuidar e dar orgulho a eles.

Tem dias mais fáceis do que o de hoje, onde sonhar não é tão pesado, onde a realidade não é tão sufocante e onde o passado não machuca tanto, mas hoje, ah! hoje, posso dizer que só quero dormir e acordar no outro dia com os sonhos ainda mais fortes, eu sei que vai, sempre vai, mesmo que a voz aqui dentro hoje, diga em forma de lágrimas para eu desistir de tudo. Amanhã será diferente, o sonho sempre renasce.

Ter a realização de um sonho não é ir a seu encontro até encontra-lo e sim, chegar a conclusão de que uma alma sonhadora vive em um eterno sonho.

Não desista do seu sonho por mais que pareça dificil de mais de alcançá-lo, quando pensar em desistir, volte a dormir, no outro dia voce irá perceber que sonho não acaba, ele muda de nome ou forma na intenção de fazê-lo realizar.

Um sonho de ser, ou um ser em sonho?

Já parou pra pensar quais foram teus sonhos desde a infância? O que é sonho pra mim, pode não ser o mesmo pra você, mas já parou para reparar o quanto já sonhamos e idealizamos objetivos desde pequenos? Bem, posso dar um exemplo de quando era criança, pode parecer algo característico da infância de qualquer um, mas hoje esse sonho faz muito sentido ao perceber meus objetivos traçados agora na vida adulta.

Quando criança, acredito que com 4 anos, acordava cedo pegava uma sacola de supermercado de plastico colocava nas costas e dizia que estava indo pra escola, e isso acontecia todos os dias. O interessante não é o fato de emitir esse comportamento, mas sim, o fato de aparentemente não haver aprendizagem ou algum tipo de reforçador  no meio em que estava inserida. Sou irmã mais velha de um casal de gêmeos, e meus pais não estudavam, eu não tinha parentes próximos que estivessem estudando e meus amiguinhos eram todos mais novos que eu.

Meus pais ao ver esse interesse por escola, decidiram me colocar numa escolinha particular ainda aos 4 anos de idade e ali comecei minha interação com outras crianças e meu processo de aprendizagem. Ia todos os dias felizes e o ambiente escolar era muito acolhedor, a partir desse momento, tive meus primeiros materiais de escola, lembro como se fosse hoje, como eu era muito pequena, mal conseguia carregar minha mochila e nunca irei esquecer meus brinquedos pedagógicos que era requisito da escola como material.

Os anos foram passando, série atrás de série e meu gosto por estudar só aumentava. Na adolescência era considerada por meus familiares como “anti-social”, pois passava maior tempo do meu dia dentro do quarto com um livro e caderno nas mãos. Participava de todos os concursos de redação da escola, ganhando com isso vários prêmios. Escrever e ler era meu maior hobby, e como eu amava escrever. Esse desejo incessável por leitura e escrita, não diminuiu com o passar do tempo e quanto mais eu lia e escrevia mais queria.

Isso me torna melhor ou mais inteligente? Com toda certeza não, mas uma coisa eu tenho visto desde então,  quanto mais leio, quanto mais escrevo, mas sonho eu tenho e mais forte fico em busca dele, tenho uma imaginação anormal, de chegar ao ponto de por várias vezes não saber distinguir a realidade daquilo que por algum momento estivesse imaginando.

Hoje sou estudante de psicologia de faculdade particular e acredite, por duas vezes estudei horas incessantes, livros e mais livros para prestar vestibular em faculdade pública, lia todos os livros literários, passava noites acordada estudando sobre temas de redação, fazia milhares de simulados da internet em busca de obter o conhecimento necessário para passar no vestibular, mas, nunca nem fiz minha inscrição no vestibular de universidade pública. Curioso não?! Cheguei a ganhar bolsa para fazer faculdade de administração por ter feito uma excelente prova do ENEM, superando até mesmo minhas próprias expectativas quanto a nota que tirei na redação em 2008, mas simplesmente não aceitei a bolsa.

Hoje percebo que o intuito de tanto estudo, nem era passar em uma faculdade pública, e sim o simples fato de poder estudar por algo, poder ler por algo, escrever redações por algo, era pelo simples fato de sonhar por algo.

Na minha graduação, hoje cursando o 8° período, permaneço na mesma ânsia por esse tal sonho. Não idealizo minha conclusão de curso, é como se o diploma não fosse meu alvo, e sim um estudo infindável, uma constante maratona em busca do pódio – O Conhecimento.

Através disso então, eu me pergunto, o que de fato sou?

 Um sonho de ser, ou um ser em sonho?

Em conclusão percebo que,

ora, tenho um sonho de ser a/o,

ora sou um ser em um constante sonho.

Miriã Nunes